MUNDO CONTRA GUERRA (Portugese)

MUNDO CONTRA GUERRA

Um Chamado Urgente por uma Coalizão Multipolar pela Paz

(Many thanks to Nilo Freitas for the translation!!)

Nosso mundo se encontra em uma conjuntura crítica e perigosa. A política destrutiva de intervenção militar unailateral e mudança ilegal de regime praticada pelos Estados Unidos e seus aliados levou à convergência de nações munidas de armas nucleares e interesses geopolíticos fortemente opostos, abastecendo a possibilidade de um confronto militar entre grandes potências mundiais que poderiam levar à III Guerra Mundial. Esse é um chamado urgente à todas as nações, organizações e indivíduos ao redor do mundo, para juntas formar uma coalizão global que procura reverter o desastre através da cooperação multipolar, diplomacia pacífica e a lei internacional, enquanto rejeita categoricamente o intervencionismo e a agressão unilateral.

O mundo chegou nesse ponto devido à sua complacência com políticas externas inconsequentes, violações horrendas aos direitos humanos e a deliberada destruição de culturas inteiras. Desde o final da Guerra Fria, a nova mudança agressiva de política dos EUA foi resguardada em um documento PNSA (Projeto para um Novo Século Americano – PNAC na sigla em inglês) publicado em setembro de 2000 com o título “Reconstruindo as Defesas da América: Estratégia, Forças e Recursos para um Novo Século”, onde se determinam claramente que:

“…Se uma paz Americana deverá ser mantida e expandida, ela deve ter uma base segura na preeminência militar dos EUA…”

Sob o pretexto midiático da Guerra ao Terror, armas de destruição em massa ou humanitarismo, os EUA (junto de seus aliados) manifesta esta doutrina hiper­imperialista através da expansão da OTAN, empreendendo múltiplas guerras pelo controle de recursos estrangeiros, e o estabelecimento de centenas de bases militares no além­mar. Eles derrubam chefes de Estado não complacentes através do uso de força militar não sancionada e revoluções coloridas. Usam urânio empobrecido cancerígeno e guerra cibernética. Justificam o uso de tortura, vigilância eletrônica, drones assassinos, e o retrocesso das liberdades civis domésticas – enquanto denunciadores que expõem esses crimes são ameaçados e criminalizados. Mesmo a guerra econômica na forma de sanções, capitalismo de abutres, austeridade imposta pelo FMI, acordos de comércio negociados secretamente como o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (APT, ou TTIP na sigla em inglês) e especulação financeira são lançados contra aquelas nações que não se curvam sob seus ditames.

O mundo está mais seguro? Quais são os resultados destas ações unilaterais? As promessas de maior democracia, segurança nacional e bem­estar econômico desde a intervenção ocidental deixou apenas um legado mortífero de Estados falidos e consequências desastrosas. Para além disto, esta política unilateral está agora mirando a Rússia e a China, expondo a humanidade ao risco de uma guerra termonuclear global.

Ao leste da Ásia, Washington conferiu ao desenvolvimento dinâmico da China o status de ameaça estratégica para os interesses dos EUA, e respondeu militarmente agitando e encurralando a China, enquanto inflamava disputas territoriais com seus vizinhos. Ao mesmo tempo, os acordos de livre­comércio neoliberais negociados secretamente como a Parceria Transpacífico (TPP na sigla em inglês) estão sendo implantados para contrapor a influência econômica da China, permitindo que as corporações mantenham os trabalhadores explorados, que proteções ambientais sejam deixadas de lado e que nações inteiras fiquem sem poder.

Enquanto isso, os EUA e a OTAN estão apoiando um regime corrupto com ligações nazistas na Ucrânia que eles mesmos puseram no poder através de um golpe de Estado violento. As políticas repressivas do regime dispararam uma guerra civil que criou milhões de refugiados, incitando residentes da Crimeia contrários ao golpe a voltar a integrar a Rússia em um referendo. A pesar de mais de 90% dos crimeanos terem votado a favor da reunificação, os poderes ocidentais e a mídia acusaram a Rússia de interferência, justificando sua decisão de aplicar duras sanções econômicas, e de posicionar tropas e armamentos da OTAN diretamente nas fronteiras da Rússia. O ocidente está considerando até mesmo a reorganização e preparação de armas nucleares da Europa para “combater a ameaça russa”. Isto torna o mundo mais seguro?

Na Síria, os EUA/OTAN/Coalizão do Golfo estão ilegalmente promovendo uma campanha de luta contra o terrorismo e mudança de regime simultaneamente, exigindo que mais um chefe de Estado eleito renuncie. Porém, esta coalizão liderada pelos EUA está apoiando mercenários extremistas com fortes relações com a Al­Qaeda e o ISIS – a quem eles chamam de “oposição moderada” – para derrubar o governo sírio. Então enquanto eles oficialmente condenam o terrorismo e juram lutar contra ele, continuam a treinar, financiar, armar e apoiar os mesmos grupos que dizem combater. Pior ainda, a coalizão liderada pelos EUA – operando ilegalmente sem mandato da ONU ou permissão do governo sírio – está conduzindo operações independentes no mesmo teatro da coalizão legal Síria/Rússia/Irã – massivamente apoiada pelo povo sírio que teme por suas vidas. Em vez de se juntar a forças contrárias ao terrorismo, o ocidente está inflamando a crise através de retórica beligerante, provocações perigosas e um descaso flagrante com a lei internacional. Isto torna o mundo mais seguro?

O papel da mídia na promoção destas guerras e políticas destrutivas é impossível de exagerar. Seja demonizando um líder, uma religião ou uma nação inteira, ­ a mídia ocidental escolhe ecoar pontos da fala ocidental para assustar o público e fazê­lo apoiar a guerra, em vez de apresentar os fatos. Nos casos da Síria ou da Ucrânia, críticas motivadas politicamente são usadas para desacreditar e minar a Rússia por “realmente” combater o terrorismo ou legalmente defender suas próprias fronteiras. Acusações questionáveis são regularmente levadas à Rússia e seu presidente sem nenhuma evidência enquanto veículos da mídia ocidental legitimam estes clamores várias vezes desmascarados – distorcendo mais ainda a realidade. Assim, a Rússia é seguidamente retratada como uma ameaça equivalente ao ISIS! De qualquer forma, não se deve esquecer quem demonizou Saddam Hussein e Muammar Gaddafi, quem realmente criou o caos que agora abarca Afeganistão, Iraque, Somália, Líbia, Iêmen, Síria e Ucrânia, e quem continua a ameaçar outras nações – incluindo a Rússia e a China. Esta política externa extremamente perigosa seguida pelo ocidente e sua mídia está criando mais terroristas, mais vítimas, mais refugiados, mais pobreza e mais desestabilização, e assim trazendo o mundo cada vez mais próximo da beira do desastre.

Chegou a hora de contrapor esta grave ameaça à humanidade. O respeito deve ser trazido de volta aos princípios de soberania, autodeterminação e não­intervencionismo – e a observância à lei internacional deve ser de suma importância. A pesar da maioria das nações respeitarem isso, os maiores poderes mundiais multipolares que servem de oposição global à hegemonia ocidental são a Rússia, China e Iran. Quaisquer que sejam as questões internas que estes têm, sua abordagem multipolar é apoiada pela maioria das nações, por alianças globais tais quais o Movimento dos Países Não­Alinhados (MNA), o G77 ou a Organização para a Cooperação de Xangai, e pelas alianças latino­americanas (UNASUL, ALBA e CELAC).

Além do mais, estas nações multipolares estão promovendo alternativas às instituições controladas pelo ocidente e suas práticas de negócios neo­coloniais. Suas instituições multilaterais e projetos de desenvolvimento como os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o AIIB, e o projeto massivo de desenvolvimento euro­asiático da “Nova Rota da Seda” são enraizados em não­intervencionismo e respeito mútuo. Em acentuado contraste aos acordos de comércio do ocidente, a cooperação bilateral com estas nações multipolares está cada vez mais produzindo efeitos ganha­ganha para muitas nações desenvolvidas e em desenvolvimento na África, América Latina, Ásia e Europa. No total, a maioria dos países do mundo apoia a multipolaridade, e esse é o motivo do ocidente querer destrilhá­la – é uma ameaça a sua hegemonia global.

Portanto, todos apoiadores – sejam eles nações, organizações ou indivíduos de todo espectro político, econômico, social e cultural – devem estar juntos em uníssono a apoiar a multipolaridade. Esta voz deve sobrepor­se à voz da mídia ocidental apoiando a mídia multipolar e independente a trazer outros para a causa. Essa voz deve ser organizada através de grandes conferências formando uma coalizão com iniciativas, posicionamentos políticos e uma plataforma. Esta coalizão multipolar deve ser mobilizada em uma força que possa pressionar o ocidente a abandonar suas políticas destrutivas alterando seu apoio econômico para nações que tenham perseguido (ou desejem perseguir) uma política equilibrada de cooperação e diplomacia.

Mesmo enquanto indivíduos, nós podemos pressionar inundando mesas telefônicas governamentais e da mídia, alterando nossos votos e hábitos de consumo para apoiar proponentes da multipolaridade, ou encontrando formas criativas de propagar a causa através da arte, música, filmes ou literatura. Mais do que apenas um chamado por solidariedade, esta deve ser uma força política e de base por uma mudança positiva.

Desde a Assembleia Geral da ONU de setembro de 2015 e os eventos que seguiram, duas formas distintas de diplomacia estão expostas para todos verem, apresentando ao mundo uma escolha muito simples: queremos um mundo unipolar no qual as guerras ocidentais ditam o destino mundial ou um mundo multipolar onde países soberanos trabalham juntos em um ambiente de paz, cooperação e respeito mútuo? Está claro que a maioria global escolhe a última.

Portanto, nós, a maioria global unida em solidariedade pela paz através da diplomacia, declaramos que:

Nós respeitamos a soberania de todas as nações e seu direito à auto­determinação. Nós acreditamos que o futuro de QUALQUER país deve ser decidido apenas pelos cidadãos daquele país, livres de quaisquer ameaças externas e interferência, e que conflitos multinacionais devem ser resolvidos através de processos políticos e negociações diplomáticas.

Apoiamos todas as nações que exerçam uma abordagem cooperativa, multilateral, aos assuntos globais. A política contraprodutiva e perigosa de intervenção militar é uma violação da lei internacional e deve ser condenada universalmente.

Apoiamos as nações e coalizões multinacionais que trabalham determinadamente para parar o terrorismo. Nações que participam direta ou indiretamente no treinamento, armamento, financiamento e apoio a grupos extremistas ligados ao terrorismo o fazem em violação à lei internacional e devem ser condenadas e responsabilizadas.

Aplaudimos e fortemente apoiamos fontes de informação globais que são justas e equilibradas, e que objetivamente relatam acontecimentos globais. Condenamos os veículos midiáticos pró­ocidente que demonizam líderes ou nações inteiras e religiões, que estrondosamente distorcem os fatos, e conscientemente apresentam uma visão enviesada, parcial dos acontecimentos.

Por favor assine, e divulgue largamente esta declaração e todos esforços relacionados. Nós nos comprometemos em participar ou apoiar esforços não­violentos para promover a paz mundial, e um mundo além da guerra. Nos juntamos em uma voz global para exigir…

“NÃO à Guerra… SIM para um Mundo Multipolar!”

Firmar:

http://www.dw-formmailer.de/forms.php?f=5918_94111

Leave A Reply

Deine E-Mail-Adresse wird nicht veröffentlicht. Erforderliche Felder sind markiert *